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A destruição do Cerrado e os dias atuais

Existiu um momento na minha vida que me lembro com bastante clareza e que explica em partes porque cada vez mais os rios estão ficando mais secos no período de estiagem.

Era início da década de 90, eu tinha entre 10 e 11 anos, quando um tio levou eu e meus primos para passear num rio próximo a cidade de Trindade. Na época não sabia o nome daquele lugar, mas creio que seria a região do rio Santa Maria. Chegamos a uma chácara que pertencia a amigos desse tio. Havia uma casa simples na entrada com algumas plantações. Lembro bem de um pé de maracujá que ficava nas proximidades. O céu estava meio fechado mas não estava frio. Passou pouco tempo e fomos levados até a beira desse rio. O que eu vi quando chegamos ao local me deixaria bastante triste e preocupado hoje, mas naquela época não. Naquele tempo, meio ambiente não era um assunto muito comum nas nossas escolas e não havia essa preocupação, tímida mas crescente, com a natureza. Talvez por conta dos inúmeros problemas que tem nos atingido com força.

A mata ciliar do local havia sido arrasada, muitas árvores caídas, algumas estavam até dentro do rio. Não me importei. Eu me diverti bastante nesse dia. Subi em alguns troncos caídos, pulei na água, entrei no barro. Não havia nenhuma preocupação de que eu estava diante de um grave crime ambiental. Foi nesse dia que conheci o olho de boi, uma planta trepadeira lenhosa que cresce se apoiando em outras árvores. Sua semente lembra muito o olho de um boi, por isso esse nome. Por conta da derrubada das árvores da beira, várias sementes caíram dentro do rio. Levei algumas pra casa para ter uma lembrança e também mostrar para minha família.

Então meu caro leitor eu lhe pergunto, quantas cenas como essa não se repetiam e se repetem todos os dias nesse país? Principalmente na região do Cerrado? Na década de 70, Quando a Embrapa descobriu que o Cerrado era viável para plantio de monoculturas, bastando fazer a correção da acidez do solo (correção do pH do solo através da adição de calcário), o ritmo de destruição do Cerrado se tornou o mais avassalador desse país. Atualmente só 3% desse Bioma está protegido em reservas ambientais. Dados da organização Conservação Internacional estimam que se nada for feito o Cerrado corre risco de sumir até 2030.

Quando perceber que, por falta de matas, existem mais pássaros nas cidades do que o normal, que o calor aumentou muito e que os rios não mais conseguem manter uma quantidade razoável de água em seus leitos durante a estiagem, é porque pouco resta do berço das águas, assim chamado esse importantíssimo bioma.

Pelas suas características o Cerrado é de difícil recuperação e as perspectivas não são boas. Talvez, mesmo que façamos algo mais radical, seja impossível desativar o mecanismo de destruição de nossos rios. Inúmeras nascentes se perderam para sempre e outras correm o mesmo risco. De qualquer forma o importante é agir desde agora, quem sabe ainda tenhamos uma chance? E que nossos filhos não se deparem mais com visões como a que eu tive quando criança.

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