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E eu achando que tava fazendo o bem…

Óleo de cozinha é 100% biodegradável – já óleo de lubrificação…

GERMANO WOEHL JUNIOR*
Portal do Meio Ambiente – 14/12/2009

Estão sendo anunciadas usinas para gerar energia elétrica a partir da queima de lixo com uma propaganda enganosa, para variar, de que são ecologicamente corretas.

É o mesmo que está acontecendo com esta porcaria de óleo de cozinha. Se o resíduo (totalmente biodegradável) for lançado no esgoto não chega a ter mais do 10 mililitros (ml) por 1.000 litros de água (10 partes/milhão). A própria molécula de água (que é polar) é um bom solvente de óleos vegetais. Por isso nunca ninguém viu um filme de óleo de cozinha na estação de tratamento de esgoto, muito menos nos rios. O impacto de pasta de dente, resíduos de remédios, germes, hormônios dos humanos (eliminados na urina)… é muito maior

Aproveitando a ignorância das pessoas, estão proliferando INDÚSTRIAS QUÍMICAS para processar óleo de cozinha (que é 100% biodegradável) e transformá-lo em algo ALTAMENTE NOCIVO PARA O PLANETA, em combustível, QUE NÃO DEGRADA NUNCA MAIS como tintas, vernizes e biodisel, que vai emporcalhar mais ainda o planeta quando for queimado ou nos inúmeros acidentes.

É uma indústria química suja como qualquer outra. A transformação do óleo de cozinha em biodiesel consome vários insumos (substâncias químicas) e gera resíduos altamente tóxicos que são descartados de qualquer jeito. Se forem depositados adequadamente, inviabiliza economicamente a produção e acaba com o lucrativo negócio dos espertalhões.

Enquanto a sociedade é levada a se preocupar somente com o lixo doméstico, que numa grande metrópole ocupa uma área de apenas 5 hectares durante 50 anos, perdemos POR ANO mais de 100.000 hectares da Mata Atlântica e 2.300.000 hectares da Floresta Amazônica (áreas repletas de formas de vida). Só na região metropolitana de São Paulo foram devastados 437 hectares nos últimos 3 anos. Tudo isso é para produzir o que está dentro das embalagens que descartamos.

Lembrando uma área ocupada pelo lixão é tipicamente do tamanho da área ocupada por uma indústria e gera praticamente o mesmo número de empregos. É um minúsculo pontinho na imensa paisagem arruinada para sustentar nosso consumo. Se tirarmos este pontinho, continuamos com a paisagem arruinada.

E os efluentes das indústrias lançados nos rios. E os resíduos industriais? Só uma fundição de blocos de motores para uma única marca de automóveis em pouco mais de 2 décadas já produziu uma montanha de areia de fundição (altamente tóxica) de 30 metros de altura que já ocupa 20 hectares.

Já o óleo que vaza dos motores dos carros (vá no estacionamento de um shopping de curitiba para ver quanto óleo vaza dos motores dos carros) e outros óleos lubrificantes… Só o óleo que vaza de UM CARRO é um problema ambiental um bilhão de vezes mais graves do que o óleo de cozinha de uma cidade inteira, já que não é biodegradável e contamina o ambiente para sempre.

Nada contra as entidades assistenciais coletarem o óleo de cozinha para arrecadar fundos. Mas não é ético apelar para a questão ambiental enganando as pessoas ao dizer que elas ajudam o meio ambiente se depositarem o óleo usado. Porque, com certeza, não ajudam. Trata-se de um apelo de marketing enganoso. As pessoas ajudariam o meio ambiente se diminuíssem um pouco o consumo de óleo de cozinha. O impacto considerável que o meio ambiente sofre é para produzir o óleo. Basta ver os índices de desmatamento batendo recordes sucessivos para plantar soja.

E justamente nessa questão mais crucial, neste momento em que vivemos, estas campanhas deixam a desejar, porque passam uma falsa ideia de que não há problemas em consumir à vontade o óleo de cozinha. Ou seja, aliviam nossa consciência e podem até estimular as pessoas a consumirem mais óleo de cozinha.

*GERMANO WOEHL JUNIOR, um dos fundadores do Instituto Rã-bugio ( http://www.ra-bugio.org.br ) em Jaraguá do Sul (SC). É Mestre em física pela USP e doutor em física pela UNICAMP.

Dica do blog do Instituto SOS Rios do Brasil

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3 Comments »

  1. A Mancha – Lenine

    A mancha vem comendo pela beira
    O óleo já tomou a cabeceira do rio
    E avança
    A mancha que vazou do casco do navio
    Colando as asas da ave praieira
    A mancha vem vindo
    Vem mais rápido que lancha
    Afogando peixe, encalhando prancha
    A mancha que mancha,
    Que mancha de óleo e vergonha
    Que mancha a jangada, que mancha a areia

    Negra praia brasileira
    Onde a morena gestante
    Filha do pescador

    Derrama lágrimas negras
    Vigiando o horizonte
    Esperando o seu amor

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