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Serra da Areia – Degradação compromete abastecimento de água

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Jornal Hoje Notícia
Edição 1025
08/08/2009
Pablo Santos

A Serra da Areia, principal área ambiental da região metropolitana de Goiânia, tem 60% de sua área comprometida pela ação humana. Como resultado, a prefeitura de Aparecida de Goiânia acredita que, caso nada seja feito, a degradação do espaço pode fazer com que parte da cidade fique sem água já na próxima década.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente da prefeitura, Juliano Tadeu Moreira Cardoso, diz que os efeitos já podem ser sentidos pelos moradores. “Nós podemos sofrer com a falta de água no município. Sabemos que hoje o município já vem sofrendo com abastecimento. Tem faltado água em alguns momentos, porém ainda tem (água). É pouco, mas ainda tem. Se algo não for feito rapidamente a gente pode não ter água potável na próxima década para a população de Aparecida”. A afirmação de Juliano pode ser confirmada com dados. De acordo com ele, o Parque Municipal Serra da Areia, que tem 50,26 quilômetros quadrados e representa 26% do município, contava com 14 cachoeiras e hoje são apenas seis. Além disso, o Córrego Pedra de Amolar, que nascia no parque, já secou e não existe mais.

Apesar das nascentes da Serra da Areia serem responsáveis por algo próximo a 15% do abastecimento da cidade, a degradação pode afetar mais pessoas. “Precisamos preservar e recuperar as fontes de recarga do lençol freático, porque nós sabemos que muitas empresas utilizam poços artesianos. Se não tiver onde esse lençol se recarregar, podemos ter o comprometimento do lençol freático. A gente vai fazer todo o esforço para que possamos recuperar os passivos ambientais e ainda preservar nossas nascentes.”

A degradação seria resultado de uma série de fatores ocorridos durante décadas de forma desenfreada. “Em relação à questão da fauna, (a ameaça) é o desmatamento, a ocupação de área de proteção permanente, a exploração de areia de maneira desapropriada. Nós ainda temos a questão do depósito de entulhos próximo ao parque, a extração de pedra e o turismo desordenado, que de certa forma agride a fauna e a flora de maneira considerável”, diz o secretário.

Para tentar reverter a situação, a prefeitura prepara um plano de manejo do Parque. “Ele vai determinar o que pode e o que não pode e como pode ser realizado dentro da área do parque. Nós já iniciamos a elaboração de um estudo de referência e do plano de manejo.” Em junho, uma determinação da justiça reforçou a necessidade de agir no local. “Nós fomos chamados pelo poder judiciário, onde se confirmou a decisão condenando o município a implantar o Parque Serra da Areia de fato e de direito. Temos a responsabilidade de, nos próximos dois anos, implantar o parque.” A criação do parque data de 1999, mas até o momento ele não foi implementado. Entre as ações estariam a correção do solo, reflorestamento, readequamento e o redimensionamento do uso das áreas.

A criação do parque fará com que famílias que residam no local sejam remanejadas. “As pessoas que se encontram de maneira ilegal, por si só, é um trabalho que precisa ser feito para retirá-las. Aqueles que estão dentro da área de proteção permanente e estão nessa situação por conivência e desleixo do poder público no passado também vão sair da área do parque, porque existe uma determinação judicial. Haverá desapropriações e essas pessoas vão receber pelos imóveis”, disse o secretário.

Juliano ressalta ainda que a preservação é fundamental para o desenvolvimento da cidade. “Nós temos grandes indústrias querendo vir para Aparecida e consequentemente os fatores ambientais são fundamentais nessa hora. Temos notícias de empresas querendo implantar hotéis na cidade. Se você tem hotéis, vai ter também turista e a Serra da Areia tem alto atrativo turístico.” Ele ressalta, no entanto, que o turismo será sustentável e que só após o plano de manejo é que será possível determinar o que será realizado ali. “O plano de manejo é que vai determinar quais os tipos de atividades que serão realizadas, como enduro, MotoCross.” Segundo o secretário, alguns esportes, como os citados, também são responsáveis por danos ambientais, uma vez que o solo é frágil.

Na próxima terça-feira, a secretaria vai começar um mutirão para realizar aceiros em volta do parque.

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