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CANALIZAR NÃO É A SOLUÇÃO!

Mas às vezes mesmo com a faca e o queijo na mão a população opta pelo lado mais obscuro e rápido que é canalizar. Veja o exemplo no link abaixo, onde uma solução alternativa de revitalização de um córrego foi apresentada, mas mesmo assim os moradores de uma região de Belo Horizonte optaram pela canalização pois estavam temerosos de o processo licitatório ser paralisado apesar de saberem dos inúmeros benefícios da revitalização. Qualidade de vida que se lixe.  Dá pra entender?

Jornal Manuelzão – Edição 15

Córrego São Francisco: canalizar ou não?

Os moradores do bairro Liberdade, na região da Pampulha, há muito lutam junto à PBH para acabar com o lixo, esgoto e mau cheiro no Córrego São Francisco. No orçamento participativo, em 1998, eles conquistaram canalização do córrego, obra que está em execução. Entretanto, pergunta-se: a canalização vai resolver o problema? Ou vai criar outro?

CANALIZAR É SOLUÇÃO?

Os especialistas do Projeto Manuelzão estudaram a fundo esta questão e concluíram que cimentar o fundo de um riacho e construir ruas e avenidas pavimentadas por cima ou ao lado traz uma série de complicações, como acabar com as curvas do rio, que aumenta a velocidade da água e causa enchentes abaixo da área canalizada. A relação do homem com a natureza é prejudicada, porque ao invés de margens verdes e áreas de lazer sobram carros, fumaça, o preto do asfalto e o cinza do concreto.

Canalizar um curso d’água é crime, porque decreta sua morte, e a escassez de água que ronda o planeta não nos permite esta atitude. Além do mais, existe alternativa, mais barata, que mantém o rio vivo, limpo e não traz as conseqüências desastrosas da canalização.

As conclusões dos estudos do Projeto Manuelzão foram confirmadas por um grupo de técnicos alemães, liderados Walter Binder, que visitou Belo Horizonte, recentemente. Este grupo estuda a descanalização dos rios europeus, já que a canalização é tida como a causa das inundações nos países do continente.

Assim ficaria o local se o córrego fosse revitalizado conforme as técnicas da engenharia ambiental

Assim ficaria o local se o córrego fosse revitalizado conforme as técnicas da engenharia ambiental

ALTERNATIVA

Outra forma de acabar com cursos d’água poluídos pelos esgotos e lixo é a recomposição ambiental. Ou seja, eliminar a causa da sujeira, interceptando o esgoto e tratando-o antes de lançá-lo ao córrego. Faz-se a revitalização das margens e das águas, a recomposição da vegetação ciliar e cria-se áreas de lazer e parques ao redor. Além de mais barato que a canalização, que esconde o problema em um local e empurra-o para as comunidades abaixo, só tende a trazer benefícios para todos.

O Projeto Manuelzão, que tem na PBH um parceiro, através da Regional Pampulha, no dia l4 de maio, mostrou as vantagens da revitalização e os problemas gerados pela canalização aos representantes dos moradores da região. Depois de vários debates, os presentes concordaram que o Projeto Manuelzão, em 15 dias, preparasse um estudo para o local, utilizando esta alternativa. Nesses l5 dias, a obra de canalização foi paralisada, enquanto uma comissão formada por técnicos da prefeitura de Belo Horizonte e especialistas do Projeto Manuelzão preparavam o estudo com esta nova forma de tratar as águas.

A DECISÃO

O estudo de revitalização foi apresentado na data marcada, dia primeiro de junho. A maioria dos moradores do local, presentes à reunião, votou pela canalização do córrego, apesar de reconhecerem os benefícios da recomposição ambiental, que além de tratar o esgoto e acabar com o lixo e o mau cheiro, criaria áreas com parque, jardins e quadras esportivas.

Tomaram esta decisão por receio da burocracia de licitação paralisar a canalização e a outra obra demorar, já que os recursos financeiros foram liberados para a primeira e não para a proposta do Projeto Manuelzão. Mas deixaram claro acreditar que a melhor solução é a revitalização e mostraram-se pesarosos pela proposta ter chegado depois da obra já ter começado. Alguns dos moradores disseram que o projeto de revitalização é um sonho e sugeriram torná-lo real em outras áreas da cidade, onde a questão do esgoto e córregos sujos está por resolver.

Assim, a mudança em relação ao tratamento dado aos córregos e esgotos da cidade foi adiado e Belo Horizonte perdeu a chance de ter avançado 20 anos no que seria o passo pioneiro para a melhoria da qualidade de vida do belorizontino.

Entre também no site:  Projeto Manuelzão UFMG

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2 Comments »

  1. Nunca gostei da idéia da canalização.1º) Porque elimina a natureza do córrego.Mas os entendidos e os urbanistas, até então eram a opinião definitiva.Espero que aprendam com os problemas ocorridos.Não ligavam para a natureza.Tem gente que não pode ver uma árvore, nem um capinzinho, nem um bichinho. “São parte dos fatores destrutivos da natureza”.Aqui em Campo Bom (RS),o comércio em geral costuma cortar as árvores na frente de suas lojas, apoiados pela Prefeitura Municipal.Ou quando tem árvores eles colam as pedras praticamente na árvore, quando deveriam deixar um metro ou mais para infiltrar a água.E o pior. Tem Secretaria do Meio Ambiente.

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    • Olá Paulo,

      Concordo com suas palavras. Em relação as árvores, aqui na minha cidade, Goiânia, acontece exatamente a mesma coisa, os comerciantes fazem de tudo para remover as árvores que ficam em frente as suas fachadas, de forma que elas ficam mais a vista. Ninguém impede esse crime. Abraços

      Ernesto Augustus

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